Querida amiga, querido amigo
estivestes em Fernando de Noronha comigo!
Tanta beleza. Oxalá sonhes com as maravilhas que viste
através meus olhos, creio na transmissão mental, na sintonia fina
telepática e na interpenetração das pulsações cósmicas cerebrais entre
pessoas com empatias afins!
CAMINHOS
DE NORONHA, a estadia.
17/03/2004
– 4ª Feira: Tenho mais de 65 anos e fui o primeiro a descer na pequena pista do
aeroporto de Fernando de Noronha, apertei o passo para sair debaixo do sol
forte e adentrar no saguão mais fresco, dei azar!
Sem
o ar refrigerado esperado, a atmosfera lá dentro estava pesada. Fui passando
rapidinho procurando a saída, mas um jovem em uniforme indicou-me o guichê,
apressado fui para lá e a moça me pediu Carteira de Identidade e CPF,
prontamente passei os documentos para ela que me perguntou:
− Qual a Pousada
de destino?
− Pousada da
Helena [tel: (81)3619-1223]
− Quantos dias o
senhor vai ficar no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha?
− 10 dias!
− De acordo com a
tabela são R$ 229,87. O acréscimo de mais um dia acarretará aumentos maiores,
favor consultar a tabela. http://www.noronha.com.br/index1.htm
que está sempre variando.
Pensei
em reclamar, pois na hora senti que perdia minha cidadania, ali não era mais um
brasileiro, e sim um turista qualquer no Parque Nacional Marinho de Fernando de
Noronha(BR). Naquele momento ninguém me perguntou se
eu pagava meus impostos brasileiros em dia e minhas obrigações de cidadão
brasileiro, ali nada valia eu era mais um turista; mostrasse
eu um passaporte e daria tudo no mesmo, em Noronha todos são iguais:
Estrangeiros, e todos têm que pagar pra entrar e pra ficar!
Sai
dali daquele calorão, pois começara a suar devido ao nervosismo do momento, e
do desconhecido imediato, fui procurar então, lá do lado de fora da área do
guichê o meu receptivo da Habitat, para minha
felicidade a minha receptiva Clívia, é uma nativa lindaça,
educada e bem articulada, perguntou pela bagagem e respondi que só a mochila
média já nas costas e uma pequena bolsa de mão, satisfeita em nada ter para
carregar, mas eu nem deixaria; me encaminhou para um Jeep
com ar, onde me refestelei feliz, com a sensação de que pelo preço pago antes
de entrar no desconhecido, estava sim a um passo do Paraíso.
Sai do calorento aeroporto ainda nervoso e a
Clívia para me deixar mais à vontade colocou-me ao lado do motorista, bem longe
dela é claro e já começou a contar que estávamos percorrendo a menor rodovia do
Brasil, a BR-363, sim eu estava no Brasil, será que as coisas aqui seriam
diferentes?
Ledo
engano, meus olhos curiosos de carioca morador de Copacabana, foram logo me
mostrando as mazelas comuns no nosso país, querendo ou
não eu sou brasileiro.
As
ruas e caminhos que saiam da BR eram todos de terra, olhando para as laterais
da estrada asfaltada jamais vi calçadas para pedestres,
que disputavam com os carros em alta velocidade o direito de ir e vir. De fato
nada mudara, eu estava numa colônia, num enclave, numa ainda antiga Capitania
Hereditária, onde os recursos eram todos drenados para o colonizador, neste
caso o governo de Pernambuco; nada para a colônia nem para os colonizados.
Eu
tinha vindo para Noronha para descansar e apreciar as maravilhas da mãe
natureza, com esse pensamento em mente chegamos à
Pousada da Helena, lugar acolhedor e bem localizado ali na Vila dos Remédios, pertinho
de tudo, do único Correio, do único banco, pertinho da Administração da Ilha e
dos bares noturnos da hora.
Agora
sim estava me sentindo em casa com tudo à mão. Clívia sentindo a transformação
de humor, me contou que a minha agência de contato, a Habitat
era ali perto, uma loja logo depois dos Correios, agradeci e entrei no saguão
da pousada.
Quem
me recebeu foi a eficiente Irene que me mostrou o
quarto com banheiro e ar refrigerado, e me disse que a chave nem precisava
levar quando fosse sair, pois em Noronha não existe ladrão. Comecei então a
acreditar no paraíso perdido!
Arriei
a bagagem, vesti uma camiseta e uma bermuda leve por cima da sunga, e fui
conhecer a Ilha, consultei meu relógio inseparável, eram 14 horas. Parti dali
direto para o turismo do primeiro dia, ainda na saída da Pousada, dei de cara
com o Carlos que apresentou-se como guia da minha
agência e que ia me mostrar a parte histórica da ilha pelo roteiro chamado
Trilha Azul, descemos por uma rua calçada de pedras redondas e escorregadias e
fui vendo os Correios, o Edifício da Administração da ilha, o bem cuidado
Palácio São Miguel, o escritório da Habitat, o único banco, a bela Igreja de
Nossa Senhora dos Remédios, o caminho para o imponente mas abandonado Forte dos
Remédios e o interessante e bem cuidado Memorial Noronhense
– Espaço Cultural Américo Vespúcio, onde podemos ver tudo sobre Fernando de
Noronha, desde fotos antigas e escrituras, até portulanos
que são mapas antigos, e muito mais sobre a história que se confunde com o
descobrimento do nosso Brasil.
Dali
ainda tive fôlego para ir olhar as praias do Cachorro, do Meio e da Conceição onde cheguei bem perto do Morro do Pico, ponto culminante e
dominante da ilha, pode ser visto de quase todos os lugares. (Foi quando
comecei minhas fotos espetaculares).
Ainda
eram 17 horas, o meu guia ficou na bela praia da Conceição para surfar e lá fui
eu para a minha agência conhecer a proprietária a bela Adriana lindinha [Cel (81) 9613-1087]; Apresentei-me e de cara nos demos
muito bem, aliás creio ser difícil não se dar bem com
a Drica como gosta de ser chamada, ela sabe o que faz e gosta do que faz, além
do que é formada em Turismo e não deixa passar um curso qualquer que apareça
para ser feito, fez até curso de guia das trilhas de FN além de estar acessível
24 horas por dia, por celular para solver qualquer imprevisto.
Conversamos
muito, falamos de tudo, tomei um suco especial por conta da casa e perguntei a
ela sobre todos os “tours” existentes e onde poderia fazer um mergulho, já no
dia seguinte, não queria perder tempo mesmo e ela falou-me que existem três
operadoras na Ilha, a saber: Águas Claras; Atlantis e
Noronha Divers. Nossa primeira conversa entremeada
por longos e constantes telefonemas obrigou-me logo na
decisão de procurar a Atlantis [tel:
(81) 3619-1371], porque o nome me atraiu sobremaneira.
Chegando
na Atlantis fui bem recebido
pela Lizzy que respondeu com prazer e muita atenção
todas as minhas questões e ainda mostrou-me que no meu caso seria melhor fazer
um Curso Básico de Mergulho, do que simplesmente uns dois ou três batismos, que
é como eles chamam o mergulho de até
Concordei
com a atenciosa e educada Lizzy, paguei com cheque
pré, os cobrados R$ 1400,00 com direito a tudo até carteirinha de mergulhador
autônomo e marquei a primeira aula teórica para as 18:30
horas lá na Pousada da Helena.
Às
seis e meia da noite, lá me chega o Ricardo, o Urso, como é mais conhecido,
apresentou-se como meu instrutor de mergulho mostrando orgulhoso
sua carteira internacional assim como o seu rico currículo de cursos feitos
e acrescentou que já mergulhara em quase todos os mares do mundo. Dito isso passou-me uma pasta com o logotipo PDIC – Internacional – OPENWater, onde dentro encontrei manual, tabela de mergulho
emborrachada e um LOGBook, diário onde se anotam os
mergulhos.
Caramba, Exclamei! Puxa Ricardo a coisa é puxada mesmo, hein?
Quantas aulas teóricas antes do primeiro mergulho lá no mar? E ele calmo
disse-me que às 13 horas do dia seguinte uma 5ª Feira o transporte já me levaria para a
praia para o primeiro contato com o equipamento e com o mar, tudo na parte da
praia, no rasinho.
A
minha primeira aula teórica foi produtiva, de fato o Urso sabe das coisas e
fez-me ficar bastante interessado com a matéria, olhou então no relógio,
passavam das 20:30 horas e ele observou que ainda dava
tempo para chegar e assistir a palestra lá na sede do Ibama
e do Projeto de proteção das Tartarugas Marinhas ou Projeto Tamar
(ProTam). http://www.noronha.com.br/index1.htm.
Mais
uma vez senti que estava bem hospedado, pois de 5 em 5 minutos passa uma
condução a meros R$ 2,00 que leva os interessados para assistirem as palestras
no Centro de Visitantes do Projeto TAMAR-IBAMA. Pelo que se paga de estadia por
dia na Ilha, o transporte bem que podia ser gratuito.
Chegando
lá já entrei atrasado num grande auditório onde são apresentados audiovisuais
de grande impacto; antes há uma explanação sempre feita por algum cientista
especializado em coisas do mar, se há algum de visita a Ilha é convidado a dar
uma palestra, se não, os próprios especialistas do ProTam sempre levam a bom termo dissertações sobre
temas variados e ainda matam as curiosidades dos visitantes, e olha que são
muitas. O movimento de pessoas era enorme e saí de lá já eram mais de 22 horas,
e eu faminto pedi ao motorista que me deixasse num restaurante especializado em
frutos do mar, e fui para o Danado do Mar, perto da pousada e muito bom, e com
bastante gente apesar do adiantado da hora; pena que a rua de terra batida onde
se encontra o citado restaurante, tenha uma correnteza de esgoto a céu aberto.
Saindo
do restaurante, ouvi um som vindo lá das bandas da praia, desci a ladeira e dei
de cara com o Cachorro, que é uma casa de forró, que fica às margens da praia
do mesmo nome. O movimento estava esquentando, muitos
turistas em sua maioria estrangeiros, fiquei por ali dançando sozinho e
cansado fui dormir já pensando no treinamento do meu primeiro mergulho.
18/03/2004
– 5ª Feira – Acordei lá pelas 10 horas, quase nem pego o imperdível café da
manhã da pousada, mas mesmo sendo o último fui otimamente atendido, e ainda
levei metade de um mamão para o frigobar do meu apartamento, pois mamão é a solução que encontrei para regular meu fluxo
intestinal, pois quando viajo fico com prisão de ventre, aí entra o mamão que
libera geral e regula a minha eliminação dos supérfluos que gosto seja feita
após o desjejum e antes de sair para mais uma aventura; recomendo.
Saí
de bermudas, sempre com a sunga por baixo e sandália leve, bastante protegido
por um bloqueador solar Sundown de 50 FPS, senão
minhas tatuagens vão pro espaço, e fui fazer um circuito nas proximidades.
Desci pela praia do Cachorro, atravessei uma picada emaranhada de mato e dei de
cara com a praia do Meio, muitas pedras, mas praia bela e interessante, nem
falo da limpidez da água o que seria uma redundância em se tratando de Fernando
de Noronha.
Após uma caminhada gostosa descalço sobre
pedras e areia, cheguei na maravilhosa e extensa praia
da Conceição, onde além de vários surfistas haviam também dezenas de cachorros,
deu medo, mas segui em frente e obtive boas fotos principalmente do Morro do
Pico e deu tempo para uns mergulhos, longe dos cães é claro. Voltei por uma
antiga estradinha de pedras, cujo calçamento foi feito à mão pelos prisioneiros
dos tempos da Ilha Presídio, conforme mais tarde vim a saber,
e passei pela abandonada Vila da extinta ITALCABLE, cujos velhos casarões
viraram cortiço, uma pena o abandono em que se encontram; coisa de Brasil
mesmo. Lá pelo meio-dia já estava de volta pra me preparar pro primeiro contato
com o equipamento de mergulho e com as profundezas marinhas, minha eterna
curiosidade.
13:10 horas, lá chegava o
caminhão da Atlantis adaptado para mergulhadores e
conduzido pela bela Cynthia uma sino-brasileira gatíssima e muito cordata que me ofereceu a boléia, já que
eu era o único brasileiro a bordo, lá de trás cheio de mergulhadores e
mergulhadoras calejadas vinha um som tipo Torre de Babel, mas se sobressaia o
Inglês primeira língua para muitos e obrigatória segunda língua para os demais,
principalmente se viajantes.
Chegando
no porto, sou separado dos antigos e junto com o Urso
que tomou a boléia, vou para a praia do próprio porto, na Baía de Santo
Antônio, para iniciar meu treinamento especial de um só, beleza! E uma dúvida
na minha mente se instalou: Será que a Cynthia me
colocou na boléia porque havia a vaga ou foi pra me separar dos calejados
mergulhadores?
-
Coisas de neófito...
Das
13:30 horas até às 17 horas toma explicação de cada
peça do equipamento, toma mergulho, toma natação só com o equipamento básico ou
seja pés de pato e snorkel com máscara, o professor
quer saber qual o meu potencial para não perder tempo com coisas que já sei. Me saio bem e toma explicação agora dentro d’água, primeiro
no raso como na foto, depois lá nos
Nem ele sabia que ali comigo aprendiam a
mergulhar meus amigos e amigas virtuais ou não, seriam mais de 700 aprendizes,
mas só um pagava tudo.
Hora
de partir, reclamei da visibilidade, não enxergava nem a
Chego
na pousada da Helena, tomo um belo banho e corro pra
lanchar ao lado na Lojinha da Mãezinha, vou saindo e já lá está o Urso com sua
inseparável pasta e o sorriso vermelho do curtido do sol de Noronha, como ele é
branco demais, a cor dele não é bronze e sim vermelho-camarão, pode?
Aula
teórica da melhor qualidade, pois agora ele sabia do meu potencial e já entrava
direto nos pontos mais importantes, esperto o Ricardo que me liberou mais cedo
e assim pude chegar ao ProTam,
desta vez antes de começar às 20:30 horas, e assisti a tudo desde a
apresentação de abertura até o áudio-visual cujo tema que muda à cada dia, e
hoje era sobre tubarões, melhor pra mim que sabia que um dia iria mergulhar
perto deles nas profundezas do mar de Fernando de Noronha.
Lá
pelas 22:20 horas estava desta vez no simples, mas
simpático Restaurante da Edilma, ressalto que fiz
amizade com o Márcio, motorista de uma Van que já me levava e trazia pro ProTam e que ficou de à cada dia me indicar um restaurante
para o jantar.
Barriga
cheia e cansadão nem fui pro Cachorro, bati um papo
com alguns hóspedes e fui direto dormir, pois já tinha agendada prática de
mergulho ainda na praia desta vez para às incríveis
07:00 horas da matina.
19/03/2004
– 6ª Feira – Acordei às 7 horas e nem tomei café e às 07:30
horas já adentrávamos eu e o Urso nas águas movimentadas e cheias de sedimentos
da praia do Porto, eu podia ver o movimento dos barcos especiais que levavam os
mergulhadores, ansiando pela minha primeira vez; e toma explicação sobre os
equipamentos, e toma afundar e fazer os procedimentos e toma repetir os
procedimentos, sinais, tirar a máscara embaixo d’água, tirar o segundo estágio
do regulador de ar da boca, colocá-lo, tirar o segundo estágio outra vez e por
sinais mostrar que meu ar acabou e saber como passar e respirar pelo segundo estágio reserva ou Octopus, tudo isso aos
Pela
primeira vez cheguei cedo na pousada e lá pelas 13:30
horas fui almoçar no Flamboyant, diferente, comida caseira a kilo num precinho baixinho R$ 10,00. Foi então que num
outro pavilhão não longe do restaurante vi a antena e a placa dizendo: Aqui
Internet! Rapidinho fui pra lá em entrei na Grande
Rede, mandei via e-mail minhas primeiras impressões para os quatro cantos do
mundo, o que estava sentindo e expliquei que todos os amigos estavam ali comigo,
curtindo as maravilhas noronhenses. Dali voltei para a pousada e caí na cama que ninguém é de
ferro.
18
horas já estou de pé e banho tomado o Urso deve estar chegando e mais uma aula
teórica interessantíssima, com o convite a tanto desejado do primeiro mergulho,
chamado checkout nas profundezas dos
Mais
uma ida ao ProTam, dessa vez
conferência ótima sobre Tartarugas Marinhas e em seguida áudio-visual perfeito,
também! O Projeto Tamar é principalmente isso
Tartarugas, no que são especialistas.
Á
noite fui pra Pizzaria dos Remédios, comi uma pizza de
frutos do mar deliciosa e descobri que lá onde se apresenta o único artista de
Noronha que só canta e fala das coisas de Noronha, é uma preparação para o
Forró do Cachorro, e foi o que fiz, e lá pelas 24 horas lá tava eu no Cachorro
dançando com o pessoal feminino, agora já meu conhecido os forrós de duplo
sentido tão comuns no Nordeste do nosso querido Brasil.
20/03/2004
– Sábado – 07:30
horas fui testar o Planasub com o Kadu;
[tel: (81) 3619-1293], uma prancha rebocada pela
corda por uma lancha, onde vais agarrado com as duas mãos e podes fazer mil
piruetas tanto na superfície quanto nas profundidades é só inclinar a prancha,
ótimo programa. Recomendo!
Cheguei
correndo na pousada e tomei somente um iogurte, pois a tensão era enorme,
queria estar de barriga vazia e em boa forma intestinal, afinal seria o
primeiro mergulho autônomo da minha vida!
Com
o Urso só inspecionando, fiz todos os procedimentos ainda embarcado, chequei
todo o equipamento, vesti a roupa úmida e curta de ‘Neoprene’
de 3mm, a água é quente por lá; o instrutor recomendou
Nem
senti medo, fiz os procedimentos corretos, fui equalizado a pressão dos
ouvidos, no princípio a dor foi tão forte que quase volto apavorado para a
superfície, mas o Urso, que parece anteviu isso, gentilmente
mas firme, pegou no meu braço e por sinais mandou que eu equalizasse
bastante, e assim fui afundando até chegar a
Que
choque fantástico quando me senti inteiramente absorvido pelo líquido de onde
viemos, tal qual o líquido amniótico, me senti de fato
Não
havia som era só tranqüilidade e paz, os cardumes passavam por nós como se
fôramos habitantes do fundo do mar também; tartarugas nem se dignavam olhar
para nós, as arraias negramente enormes passavam tirando fininho de nós e à
nossa frente entravam na areia branca talvez brincando de esconde-esconde,
talvez se camuflando de algo que sentiam predador.
Acordei
com uma cutucada do Urso, que por sinais pediu-me para consultar o console; ver
o tempo, a quantidade de ar e a profundidade, e me explica mais uma vez que
deveríamos subir quando o manômetro estivesse marcando 50 bar.
Ato contínuo me indica a direção e lá vamos nós, braços cruzados próximos ao
peito, pernas encolhidas tipo rã e balançando as nadadeiras num movimento suave
a gente como que deslizava num fundo do mar onde a visibilidade era de mais de
Ali
estava a surpresa prometida, visibilidade total, e foi
o que mais me maravilhara, pois com 65 anos minha visão não é mais a mesma, mas
com a máscara de mergulho e a refração das águas, eu enxergava como menino, e
como tal me deslumbrava com um peixe que passava, com uma formação rochosa de
forma interessante. E por muitas vezes o Urso tava lá ao meu lado me orientando
e me chamando a realidade, ante o embasbacado, estupefato e pasmado
aluno-criança em seu primeiro mergulho nas profundezas do mar de Fernando de
Noronha.
Consultar
e equalizar vira automático; para mim haviam se passado horas, mas os
marcadores diziam 50 bar e o relógio 55 minutos, que
podia fazer? E fiz o sinal de subir, lentamente observado pelo instrutor fui
subindo após as borbulhas que se iam para a superfície á minha frente como me
havia sido incansavelmente ensinado; Primeiro as borbulhas depois o
mergulhador, isso se vais até uns
Subi
legal, ao acercar-me do barco que não estava longe, pois o Urso havia seguido a
direção para onde o barco havia seguido, fiz todos os procedimentos
apreendidos, primeiro os
Pela
primeira vez e ainda maravilhado pelo acontecido que teimava em não sair da
minha visão, me foram oferecidas as comidinhas do intervalo entre um mergulho e
outro, biscoitos doces e salgados, é claro que preferi os doces, água mineral e refrigerantes, claro que preferi água mineral,
nada de gás no meu estomago.
Teremos uns 30 minutos de descanso e iremos
para o chek-out final, onde nos mesmos
Estava
tranqüilo, havia voltado a realidade, um mergulhador
europeu, se afastara de nós e lá a favor do vento dava as suas tragadas num
cigarro, o único num universo de 25 pessoas entre, instrutores, fotógrafos e
tripulação e mergulhadores de ambos os sexos. O tempo foi passando e nem
nervoso estava, quando o Urso me chamou para o teste final, estava realmente
tranqüilo. Desta vez mais que da vez primeira, chequei todos os meus
equipamentos, fiz todos os procedimentos apreendidos, caminhei até a borda do barco, com a
mão esquerda segurei a fivela do cinto de lastro de
Fui descendo lentamente e equalizando, dando as costas
para o sol para melhor orientação, mergulhei penetrando célere nas profundezas
do Atlântico Sul, agora meus ouvidos foram mais meus amigos, minha cabeça não
sentia dor, tudo era prazer e alegria, mais uma vez maravilhado como se fora a
primeira mergulhada, encontrara a felicidade total e completa no silêncio
entremeado por quase silenciosas borbulhas e já me sentia parte da ictiofauna local. Após uns 10 minutos o
sinal de parada num local de fundo arenoso para os procedimentos antes
ensinados, e toma tirar e colocar a máscara, fazendo o procedimento de retirar
a água que teimava em permanecer obnubilando minha
visão; toma de tirar o segundo estágio, e toma de fazer sinal de falta de ar
comprimido e pedir por sinais o Octopus do dupla. Tudo perfeito pelo meu lado, agora a coisa se
inverteu, eu era o instrutor e o Urso o aluno, e lá fui eu repetir mais uma vez
todos os procedimentos nas profundezas, sem poder por preciosos minutos,
apreciar a beleza da natureza submarina; mas sabedor de que o que fazia iria me
dar satisfação e prazer seguro pelo resto da minha vida, eita!
Parece
até que tô falando em sexo! Termos como penetrar nas profundezas e
procedimentos de tirar e botar, são meios eróticos por suposto.
Estava
feliz então; Felicidade que trago até hoje dentro do meu peito e na minha
memória, de fato mergulhar é como um orgasmo, tu sentes lá dentro da mente,
espírito e coração, um prazer inenarrável diferente até do teu parceiro ou
parceira no caso teu dupla que apesar de estar contigo no fundo líquido não vê
nem sente as mesmas coisas que sentes. Cada indivíduo é um ser especial e em
sendo assim, tem sua sensibilidade diferente.
Graças
à meu Deus e minha perseverança unida ao corretíssimo
método de ensino PDIC do instrutor Ricardo, o Urso; fui aprovado com louvor no
primeiro de uma série de testes práticos de mergulho, mas como fui avisado
anteriormente o teste teórico-escrito seria eliminatório também.
Nem
me lembro como cheguei à Pousada da Helena, nem como saltei do caminhão
especial, estava de fato embriagado de emoção e prazer,
sorte que havia marcado (tem que marcar com antecedência), para ás 20 horas o
famoso jantar de frutos do mar da Pousada Zé Maria que é o melhor da Ilha, caro
R$ 50,00 por cabeça, mas excepcional! Recomendo.
Fiz
amigos lá no jantar, pois estava bastante receptivo e conversei é claro com
outros mergulhadores eu ainda não o era, mas já me sentia como tal. Ousei até
tomar uma caipirinha que recomendei fosse de aguardente, sou brasileiro e dou
valor aos produtos da terra, na verdade com os 50 reais tens direito a tudo
exceto bebidas engarrafadas, pois até refrescos de frutas tropicais estão
incluídos. Depois uma jarra de suco de maracujá para melhorar e minorar minhas
emoções e pude curtir o único cantor noronhense
(criado, mas não nascido em Noronha), versejar e cantas coisas dessa Ilha tão
especial.
Peguei
uma carona pra casa, com mergulhadores amigos e já bem tarde
e muito feliz dormi o sono dos vencedores.
21/03/2004
– Domingo – As 8 horas da matina Ilhatour
terrestre com o grande Fábio Torres [tel: (81)
3619-1959], que parava a cada quilometro, explicava cada paisagem, orientava
cada passageiro, éramos 10 no jeep especial com ar; o
Fábio de fato é mesmo uma pessoa talhada para o trabalho ao qual se
especializou, ilhéu tisnado pelo sol inclemente, jamais perde aquele sorriso de
felicidade do rosto amigo, nada entende de Inglês ou Espanhol, mas tenta de
todas as maneiras ensinar aos turistas estrangeiros o que é o quê em Fernando
de Noronha e se sai bem, com ressalvas é claro, soube isso porque por várias
vezes tive de me intrometer como interprete tanto para um par de lindas e
saradas norueguesas, assim como para um casal de mexicanos.
A dupla Fábio e Enock é
o orgulho da Ilha, de fato eles são impagáveis e prestativos, sempre o melhor
ângulo para as fotos, conforme podes ver nas nossas fotos, alegres e
orientadores no Restaurante do Biu, e extremamente
conhecedores das coisas, histórias e lendas da Ilha, os quais contam
entremeados com graça e momentos de emoção. Recomendo.
Dei
sorte hoje, é um Domingo no qual o padre veio do Recife para celebrar a missa
mensal, e às 20 horas estou lá entre os fiéis, agradecendo ao dono da Igreja de
Nossa Senhora dos Remédios, nosso Deus de misericórdia, estar aqui no Paraíso e
poder com saúde usufruir o melhor que a Ilha pode oferecer. Antes do começo da
liturgia o Pároco fez questão de chamar todos os visitantes e se apresentar
para as outras pessoas presentes e vi ali gente de todas as partes do nosso
Brasil e do exterior, coisa realmente linda e divina.
No
final da missa já cochilava, havia sido movimentado meu Domingo, aliás, toda a
minha estada, o corpo já pedia descanso tanto físico quanto mental; passei pela
pizzaria que é ao lado da Igreja, comi por lá rápidos duas fatias e rumei para
a cama, não antes de dar
uma ligadinha pra casa pra saber como todos iam. Só para entender como entra
dinheiro em Noronha, mais uma vez as pessoas que estavam na Pousada já eram
outras, tudo mudava de dois ou até todos os dias, inclusive os hóspedes.
22/03/2004
– 2ª Feira – Acordei de bem com a vida, fiz um ótimo desjejum e fui caminhar
pelas cercanias e visitar lugares ainda não visitados, o Forte N. S. dos
Remédios é uma visita imperdível, apesar do descaso quase total, tirantes que
seguram a nossa bandeira estão arrebentados, mato e ervas
daninhas tomando conta de tudo, muros desmoronados, falta de sanitários; Mesmo
assim dá para sentir o poderio português de antanho, o mau uso ainda não
conseguiu destruir a beleza do forte que domina mesmo toda a parte do Mar de
Dentro da Ilha; explico: a parte do mar que fica entre a Ilha e o continente
sul-americano é chamada Mar de Dentro e a outra parte que fica entre a Ilha e o
continente Africano é chamada Mar de Fora. Reclamo do descaso
pois ainda não me recuperei totalmente dos R$ 28,20 que pago por cada
dia que aqui permaneço.
Fiz
uma visita bastante demorada no Memorial Noronhense,
para conhecer sua história de sofrimentos e glórias, tirei fotos com a Sandrinha no Forró do Cachorro e lá pelas 16:30 horas fui almoçar no restaurante panorâmico Visual do
Porto, de onde se descortina quase toda a parte da costa do Mar de Dentro,
complementando a vista do Forte.
Cheguei
correndo pois já eram quase horas do mestre chegar, e
o discípulo não pode deixar o mestre esperando, e às 18:30 horas em ponto, lá
estava o Urso e sua pastinha com mais perguntas que respostas pra me fazer,
seria minha penúltima aula teórica antes do teste escrito final, aula puxada
com estudo da Tabela de Mergulho e uma visão de tudo o que já havia estudado e
algumas visões novas sobre atitudes do mergulhador autônomo. Já passavam das 22
horas quando o incansável instrutor me deixou com a cabeça a mil e se foi
marcando para o dia seguinte mergulho final de checkout,
e a última aula antes do teste escrito. Fiz um lanche rápido na Lojinha da
Mãezinha que é do lado da Pousada e caí de cara nos livros e tabela, até o sono
me vencer e nem me lembrando de um compromisso antes assumido.
23/03/2004
– 3ª Feira – 05:00 horas da matina e quase derrubam a
porta do meu quarto, era o pessoal que me convidara para ir pro Mirante dos
Golfinhos. Ainda sonolento, rumamos para lá, nem lavei o rosto direito, num jeep alugado, a 13 reais por cabeça, éramos 3 em cada
veiculo, mais o motorista, e o comboio era de 4 viaturas no total, e lá longe
quase no final da Ilha, chegamos só para observar a
chegada dos famosos golfinhos rotatores, fomos por
demais felizes, vimos mais de 200 passarem e saltarem, é claro que usei um
binóculo emprestado (tenho que comprar um novo, potente e pequeno), e usando
minha lista de amigos e amigas virtuais ou não, dei nomes ao danadinhos, numa
velocidade igual aos saltos que eles davam na água, uma belezura
de assistir, parece que eles sabem que estamos ali só pra os ver, mesmo que de
muito longe, sem poder sequer descer para a praia, o que é expressamente
proibido.
Satisfeitos
com o que vimos, voltamos famintos para a Pousada para o desjejum, após a
barriguinha cheia fui pra cama completar o sono e acordei antes das 13 horas,
pois teria que ir mergulhar, era mais um checkout
final. Tudo correu como das outras vezes só que como cada mergulho é diferente,
nesse eu era o guia, e o mestre Ricardo me dera o roteiro a seguir numa
profundidade que variava de
Dali
ele me mostrou uma correnteza que passava à nossa frente, levando cardumes,
sedimentos e outras coisas visíveis e invisíveis numa direção para mim
desconhecida e numa velocidade assustadora, como se um rio dentro do mar fora.
O Urso então fez sinal para que eu marcasse no meu relógio 10 minutos na
correnteza e segui-o entrando na dita cuja. Meu Deus! Que velocidade gostosa, o
mestre abriu os braços como se fora o super-homem eu fiz o mesmo, voava com
certeza, passava entre cardumes imensos que também iam para uma única direção e
sorria muito ao lembrar-me do filme Procurando Nemo, senti a mesma sensação com
certeza.
É
aquilo mesmo, a força das águas te leva de roldão; à frente uma âncora com uma
parte pra fora do fundo do mar, o instrutor segurou-se nela e o seu corpo
levado pela direção da corrente, o fez ficar de rosto voltado para mim, numa
incrível e inesquecível movimento corporal de rara beleza plástica. Por tudo
admirar aliado á surpresa de cada movimento, ia passando do momento de parar,
mas consegui agarrar-me também à âncora, e consultei o relógio, ainda tínhamos
5 minutos do prazer da velocidade submarina.
Após
o sinal do instrutor, nos largamos do apoio e juntos fizemos
mil piruetas no fundo do mar e ainda vi algumas tartarugas passando rapidinhas,
como no filme, que maravilha. Mas o tempo urgia estava na hora de emergir; fiz
o sinal combinado e lentamente inclinamos nossos corpos para cima e para o alto
como diria o Super-Homem.
Afloramos
felizes saindo da corrente que é somente submarina, pois na superfície ficamos
flutuando com os coletes inflados, praticamente no mesmo lugar. O nosso barco
estava muito longe de nós e o Urso teve que usar um tubo inflável plástico,
comprido e amarelo que serve para chamar a atenção do Comandante da embarcação.
E ali ficamos conversando, eu perguntando tudo avidamente e ele de ótimo humor
e todo sorrisos respondendo com autoridade, já que calejado de surpreender seus
alunos com aquela verdadeira maravilha.
Estás aprovado meu caro
Mannyboy, agora é te preparares para a prova teórica.
Aprovado
com louvor, não cabia em mim de contentamento, não estava feliz, dali em diante
sou feliz à cada momento da minha vida, minha
felicidade agora é permanente e total, encontrei um outro mundo, o verdadeiro
paraíso e desde então a Felicidade mora em mim. [lá no final, mostro minhas
impressões escritas na noite da minha aprovação]
Cheguei
na pousada cansando e sorridente e mal tomei meu banho
e um cafezinho e já lá estava o incansável instrutor Ricardo, para ministrar a
última aula, insistência no ensino da Tabela de Mergulho e as últimas
explicações quanto a prova de conhecimentos teóricos.
Ás
20:30 horas estou lá eu no Projeto Tamar,
o tema Tartarugas, muito interessante e explicativo e razão principal do
Projeto.
Ás
23:00 horas jantar no Restaurante Tribojú,
meio caro, comida boa e um show interessante. Voltei pra pousada e ainda dei
uma caminhada até o Cachorro, mas meu corpinho pedia cama e fui dormir feliz.
24/03/2004
– 4ª Feira – Dormi demais, acordei eram 10 horas da matina,
perdi o desjejum, mas fiz um lanchinho leve na Lojinha da Mãezinha, me
preparando para fazer a Trilha Atalaia/Caieira de uns
A
ilha é muito linda, o guia conhecedor profundo da região, nos dizia nomes de
cada árvore, arbusto, pássaro ou inseto; ao longe ouvimos latidos enraivecidos
e o guia nos contou que haviam cachorros sem dono
vagando pela Ilha e que estava se tornando um perigo para àqueles que gostavam
de se aventurar sozinhos nos caminhos solitários que cortam o âmago da Ilha.
Voltei
rejuvenescido pela caminhada tranqüila em meio à mata virgem, e ainda a tempo
de dar uma última vista d’olhos nos meus escritos e lá fui eu para a sede da Atlantis, eram 19 horas e a prova começou no tempo marcado
com uma hora e meia de duração. Terminei com quase 60 minutos e meio nervoso
fiquei observando o Rick analisar erros e acertos e no final com um largo
sorriso ele falou que eu não o decepcionara e que estava aprovado.
Agora
sim, era um Mergulhador Autônomo PDIC – Internacional – OPENWater. Aproveitei o regozijo para convidá-lo para
jantar, mas o caminhão dos mergulhadores já estava com o motor roncando
chamando o Urso, para as suas obrigações de mais um mergulho noturno.
Já
eram 22:00 horas, já que não dera tempo para
comparecer ao ProTam, fui para o Restaurante do
Nascimento, onde jantei uma peixada maravilhosa e merecida.
25/03/2004
– 5ª Feira – Acordei tarde outra vez, meu corpo já sentia a semana cansativa,
fui até a sede da Atlantis, acertei minha conta e
marquei dois mergulhos, agora como autônomo, para a manhã do dia seguinte.
Como
mergulhador e mais tranqüilo observador, na hora de entrar no barco
especializado, vi um homem como que contando o movimento e anotando numa
prancheta, perguntei pra alguém da ilha e a resposta a mais curta possível, nós
pagamos R$ 10,00 por cada mergulhador que embarca. É mole? Na verdade se vais
para Noronha mergulhar, pagas além dos R$ 28,20 por dia, mais 10 reais de taxa
de mergulho, uma loucura total, pois não há contrapartida, pelo menos no
quesito conforto, pois as ruas são esburacadas, com lama quando chove, e com
verdadeiras nuvens de poeira quando o sol inclemente a tudo seca e pasmem; até
luz faltou umas duas vezes nos 10 dias que aqui fiquei.
Eram
ainda 13:30 horas quando almocei no Sabor da Ilha e
fui Internetar, mandar as novidades para os amigos e
amigas e ler meus e-mails. Me animei, voltei para a
Pousada da Helena, botei sunga e camiseta e fui caminhar lá pela Praia do Meio,
onde ainda bati outras fotos do Pico, dessa vez vi poucos cachorros.
Voltei
quando o sol já se punha, tomei meu banho e fui caminhando para o ProTam, ainda era cedo e fui
devagar, já que são bem uns
26/03/2004 – 6ª Feira – Acordei cedinho, fiz um leve
desjejum e fui lá fazer meus dois mergulhos como credenciado, agora livre, leve
e solto, tudo isso no meio dos cascudos, e senti-me um deles tanto que antes já
havia contratado um técnico em filmagem submarina que me rendeu uma fita de
vídeo dos bons momentos no fundo do mar de Fernando de Noronha na profundidade
de
Foram dois mergulhos especiais, exercitei tudo o que
duramente aprendi, deliciei-me com as belezas da fauna e da flora submarinas, o
mergulho foi em outros pontos ainda desconhecidos por mim, o de
9
dias passados e já me sentia em clima de despedida, mais por cansaço diria do
que por vontade de ir-me embora.
Almocei
no Restaurante da Edilma, aquela posta enorme de
peixe frito com arroz e uma saladinha de tomate e cebola, coisa cara na Ilha.
Em seguida fui Internetar isso eram umas 14 horas, e
voltei para a pousada para aquela dormidinha básica
dos vencedores e realizados, e ao passar pelo varandão com suas redes e
cadeirões, já eram outras caras, outros hóspedes, o que me mostrava diariamente
como é incrível a rotatividade de pessoas e o montante à
cada dia faturado, tanto na Pousada quanto pela famigerada Taxa de Preservação
Ambiental.
Acordei
tarde, nem pude ir ao ProTam,
eram quase 22 horas e fui comer uma pizza esperta na Pizzaria dos Remédios onde
encontrei felizes mergulhadores que estiveram comigo na manhã e juntos
saboreamos a pizza de frutos do mar , ouvindo o excelente cantor noronhense, e fomos pro Forró do Cachorro como sói
acontecer nas noites de Fernando de Noronha. Nem fiquei muito tempo, pois o céu
começou a chorar, talvez por saber da minha iminente despedida, e rapidinho fui
embora descansar pois Sábado ainda tinha tempo pra
fazer alguma coisinha antes de partir ás 17 horas.
27/03/2004
– Sábado – Noronha chora, chove forte, estou indo embora, nada
de caminhadas, ou outros folguedos marítimos, cancelei o PlanaSub que havia marcado e fiquei de bobeira até a hora
do transporte da Habitat vir me buscar.
São
16 horas, o avião está partindo mais cedo, adeus Fernando de Noronha, parto
daqui felicíssimo comigo mesmo e contigo e sei que voltarei um dia para
adentrar-me no teu âmago aconchegante, morno e macio, além de descobrir e
explorar o Paraíso mais uma vez.
-:F i M :-
Meu curso de mergulho em Fernando de
Noronha!
(este foi escrito à noite após minha aprovação)
Foram
4 noites de aulas teóricas ali entre as redes do alpendre da Pousada da Helena,
das 18:30 até passar um pouco das 20:30 horas, nem deu
direito pra assistir todas as palestras com vídeo lá no Projeto Tamar, mas tudo bem, aprendi tudo e nos exercícios dentro
da água do mar na praia do Porto, entendi tudo desde a checagem até o mergulho
aos
Tava
feliz, já era um quase mergulhador Openwater – ARRASO, tava tudo perfeito demais.
Á
noite anterior ao dia de fazer meus primeiros mergulhos valendo eliminação (checkout), fui dormir feliz
pensando no amanhã, quando afinal iria conhecer as profundezas decantadas por
todos das belezas do mar de Fernando de Noronha.
Ás
7 horas já estava tomando um desjejum leve, estomago vazio ordenou o meu
instrutor, Ricardo, o Urso, professor de mergulho da Atlantis
de Noronha, seguia cegamente tudo o que ele falava. Às 07:50
horas a viatura dos mergulhadores me pegou na porta da pousada e eu cheio de
orgulhosos sonhos entrei nos assuntos dos veteranos, mais ouvindo que falando é
claro, aliás só ouvindo devo admitir.
Naquele
dia meu primeiro mergulho matinal em Fernando de Noronha, a
Subi
no barco, e seguindo os outros fui comer biscoitos
doces e beber água mineral, e bater papo das belezas que presenciei, pois não
mergulhara no mesmo lugar que eles.
Quando eu estava todo animadinho, o Urso
mandou-me preparar o equipamento para o segundo mergulho, na ânsia de jogar
mais conversa fora, afivelei o cilindro no colete equilibrador e o conectei ao aparelho
regulador, chequei o ar, tava tudo nos conformes e voltei rapidinho para mais
biscoitos, água e papo. Uns 60 minutos depois o segundo mergulho autônomo da
minha vida, tudo certinho, tudo checado, dei meu passo de gigante e seguindo a
orientação do meu dupla, o Urso, afundei em seguida,
pois o mar tava picado, fui equalizando e indo atrás dele que rápido chegou aos
Aprendi
com o erro, jamais descurarei dos cuidados básicos que um mergulhador ARRASO deve ter.