Desta vez tudo começou no dia 18/Fev, até o dia 5/Mar/2006; quando fizemos nosso Trekking Porto Seguro-Prado, éramos Ana, Beth, Didinha, Jussara, Ney e Mannyboy do Rio de Janeiro; Nonô e Getúlio de Friburgo, e Gideon diretamente do Planalto Central – Brasília.

 
Andamos + ou - 140 km sobre as areias mornas e fofas das praias do Sul da Bahia, de carro desde Santa Cruz Cabrália até Porto Seguro, onde atravessamos o rio Buranhéim, e iniciamos nosso trekking totalmente a pé, Arraial d’Ajuda; Trancoso, Curuipe com sua praia do Espelho uma das mais lindas vistas marítimas do mundo; Caraiva com suas ruas de areia; Corumbau; Salgado; Cumuruxatiba e finalmente, ufa! Prado.


Caminhávamos diariamente rumo Sul, no lado esquerdo sempre a imensidão do mar, com suas mudanças de tonalidade, seu som peculiar do constante marulhar das ondas que a nossa sombra vinham se quebrar, refrescando nossos pés com beijos úmidos e aconchegantes de incentivo, e a nossa esquerda as falésias altas encimadas por palmeiras altaneiras que ondulavam ao sabor do tépido vento tropical vindo do Oceano Atlântico. Passamos por árvores frutíferas que brotam das areias, amendoeiras, coqueiros e pés de abricó-da-praia = abricoteiros; seus frutos caem e levados pelas correntes marítimas vão frutificar outras praias, num eterno semear.

Em alguns trechos a disputa constante do Mar contra a Terra, dá vantagem às águas e pedregulhos caem sobre a areia, dificultando nosso caminhar, mas não impedindo nossa passagem, uma aventura com escaladas e descidas perigosas, mas nada que seres humanos sem preparo não possam fazer.

E finalmente o trecho Cumuruxatiba até Prado, 32 km, o fizemos à noite desde 19:30 horas chegando em Prado passadas das 3 da matina. A maravilha então transforma-se, já que caminhamos à luz das estrelas por ser lua nova; ao apagarmos as lanternas, o brilho das areias lavadas e sempre úmidas refletia por momentos as luzes dos sois distantes, causando-nos a sensação que pisávamos nas estrelas, sensação que nos levava a um encantamento jamais sentido, coisa mesmo de ir lá, aceitar o desafio e provar o poder que a natureza tem sobre nós, sem falar da atração do mar que sussurrava incessantemente em nossos ouvidos um chamamento as nossas origens primevas.

Nem tudo era alegria, vez por outras atravessávamos riachinhos rasinhos e outros mais largos e com correnteza forte, onde nos dávamos as mãos para não sermos levados ao mar, que naqueles escuros momentos nos sabia apavorante devido ao seu rugido negror, e suas enormes ondas quais bocas ornadas por dentes espumantes, nos apavorava por instantes que se diluíam completamente ante a energia que circulava em nosso grupo unido em corrente pelo mesmo ideal de vencer o medo e o cansaço. 

 

Quando falo em mais de 150 km, estou somando as caminhadas para relaxar que fazíamos nos dias em que não havia trekking para um novo destino. Esses aquecimentos feitos diariamente para não perdermos o embalo, eram feitos normalmente após o café da manhã e duravam de 2 a 3 horas. O corpo fica acostumado ao movimento e pede, exige ação, assim sendo a gente obedece sem pestanejar e nem mede as distâncias percorridas como lazer. Ah! Essa incrível máquina humana!

 

Esta caminhada turística desde agora poderia passar a chamar-se Trekking Gastronômico ou Pantagruélico, devido aos valores gastos por cada um só em jantares, sobremesas, lanches e guloseimas diversas, fora os presentes para amigos e parentes.

Assim sem aprofundar-se cada um dos 9 gastou mais ou menos 600 reais só na parte da alimentação.

 

Sou prolixo, melhor parar, pois embevecido em lembranças só aguardo o próximo trekking, que talvez ainda role neste ano de 2006. Todos os que lerem esta notícia estão automaticamente convidados, pois saibam que já estiveram lá conosco na mente, espírito e coração,  e que juntos caminhamos 150 km, e absorvemos as energias purificadas que emanam dos céus, dos ares e dos mares da parte ainda virgem da natureza baiana!